As traquinagens do menino Noel Rosa em livro para crianças e jovens



O ANO DE 2010 marca o centenário de nascimento de NOEL ROSA, um dos maiores nomes da música popular brasileira. É estranho notar que não houve eventos comemorativos em torno da data, em número e projeção correspondentes à importância e à vitalidade da obra de Noel nos dias de hoje. Mas um evento não deixará o nome de Noel passar em brancas nuvens. É o lançamento do livro NOEL, O MENINO DA VILA, de Clóvis Bulcão e Marcia Bulcão, com ilustrações de Iara Teixeira, para o leitor infanto-juvenil.

A biografia romanceada conta, em linguagem apropriada para crianças e jovens, os eventos da infância do menino Noel até o ano de 1930, quando "estourou" no carnaval o samba "Com que roupa?", seu primeiro sucesso.





Noel Rosa ficou conhecido como o “poeta do samba”. O branco de classe média que largou a Faculdade de Medicina fazia samba agregando os elementos do asfalto e do morro, segundo os musicólogos. Mas Noel, antes de qualquer análise, foi sempre um autêntico menino carioca do início do século XX. Era boêmio, apaixonou-se e desapaixonou-se pelas damas de festas e cabarés, criou polêmicas de malandragem (com Wilson Batista), fez música em poesia e foi vítima de tuberculose, doença que acabou causando a sua morte prematura, em 4 de maio de 1937, aos 27 anos.

Na ocasião, Noel já era bem conhecido. O jornal Diário da Noite  lamentou:

Morreu Noel Rosa. Após alguns minutos, a cidade inteira já sabia. Noel o popular cantor e compositor dos morros da cidade que sempre se destacou pelas suas producções, deixa a vida para ir de encontro a um novo mundo.

De algum tempo para cá, Noel deixou de aparecer nos meios radiophonicos e recolheu-se a um sanatorio atacado por terrivel enfermidade. Os seus "fans" reclamaram; porém, Noel não podia attendê-los por ter necessidade de absoluto repouso.

Suas melhores producções, alías, a que lhe deu nome, foi ha alguns annos o samba "Com Que Roupa". Depois, seguiram-se outros, e ultimamente "João Ninguem", "De Babado Sim" e outros.

Encerra-se com o autor de "Pierrot Apaixonado", "Feitiço da Villa", "Palpite Infeliz" e outras composições populares, uma etapa verdadeiramente brilhante do samba de nossa terra.

Noel morreu subitamente em consequencia de um colapso cardiaco, quando na rua Theodoro da Silva n. 382, o querido compositor encontrava-se em companhia de sua progenitora, esposa e alguns amigos palestrando recostado no leito. (...)

Cerca de 23 1/2 horas, o "sambista philosopho" pediu que fosse tocada uma das suas composições, no que foi attendido promptamente. Então, cantando "De Babado Sim", Noel repentinamente deixou de viver desapparecendo da vida e deixando saudades. Porém, suas musicas não serão esquecidas e a sua memória será tão venerada como a dos nossos maiores compositores da musica popular.

O seu enterro será realizado hoje á tarde, saindo o feretro da rua Thedoro da Silva n. 382 em Villa Isabel. (Diário da Noite, 5 de maio de 1937)


Encerrava-se assim uma breve porém altamente produtiva carreira. Noel até seus 27 anos havia composto mais de 300 músicas! Imagine se ele tivesse crescido mais um pouco...

Nas traquinagens de um menino chamado Noel havia muita música. E essa música estará presente no livro e no palco pois para o lançamento de NOEL, O MENINO DA VILA, a dupla de autores (que inclusive são irmãos) bolou um show-lançamento, comandado por Marcia Bulcão e Djambo Trio. O evento  será no dia 21 de agosto de 2010, às 15 horas, no TEATRO TABLADO(Av Lineu de Paula Machado, 795, Jd. Botânico – RJ). Entrada gratuita!

Para encerrar esse texto, uma preciosidade rara. Nesse vídeo, Noel aparece cantando no Bando dos Tangarás, o regional que em 27 de junho de 1929, no Tijuca Tênis Clube, levou o jovem de Vila Isabel a estrear na música. No vídeo aparecem Almirante, Braguinha (o “João de Barro”, apelido dessa época que pegou no nome do compositor), Henrique Brito, Noel Rosa e Alvinho. O nome foi inspirado na lenda dos tangarás, pássaros que cantavam e dançavam em grupo de cinco, quatro formando a roda e um no centro -esse claramente representado por Almirante, o saltitante “pássaro-cantor-regente” do vídeo abaixo.

Noel está sentado com o violão, bem ao lado de Almirante, de chapéu com abas arredondadas e camisa branca com lenço no pescoço, além da  marca que um parto à fórceps deixou em seu queixo. Marca  imperceptível perante a marca maior que a sua música deixaria em nossa história:





Serviço

Lançamento de NOEL, O MENINO DA VILA, de Clóvis Bulcão e Marcia Bulcão, com ilustrações de Iara Teixeira, editora Escrita Fina, 2010.

21 de agosto de 2010, sábado, às 15 horas
Show-lançamento com Marcia Bulcão e Djambo Trio às 15.30

TEATRO TABLADO,
Av Lineu de Paula Machado, 795
Jd. Botânico - RJ / tel: (021) 2294-7847.

Entrada franca.

Imagem do topo - Noel Rosa, Francisco Alves e Cartola, ilustração no livro, por Iara Teixeira.

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