FLORES

Toda manhã me ataca um desejo de ganhar flores. No meio do meu caminho diário sempre me deparo com um velhinho as vendendo. Há uma banca de flores perto da minha casa e eu passo por ela quatro vezes por dia, no mínimo. Não vejo pessoas comprando flores, não vejo homens ofertarem flores para mulheres, não é comum, acho.... Mas o velhinho das flores está toda manhã ali, cortando os cabos das rosas de várias cores, arrumando os jarros, trocando água, molhando pétalas. A banca já está ali há um bom tempo. Se não vendesse, ele já teria ido para outro lugar. Será ele um homem com esperanças? Ou será tradição de família? Ou será que vende mesmo e eu não vejo nessa minha correria? Talvez amanhã eu as compre para mim mesma, porque flor não é coisa que se peça. Flor é sempre motivo de espera. Há sempre uma espera em quem ganha ou em quem oferta. Por isso há sempre flores no meu caminho.

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